terça-feira, 27 de novembro de 2007

Um Show de Aprovação!

Já que o vestibular da UFRN termina hoje, resolvi colocar esse texto:

Eu estava tranqüilo demais e isto, de certa forma, me perturbava (ué, mas eu não estava tranqüilo?). No dia da divulgação do resultado do vestibular, algumas pessoas foram pra minha casa cheias de expectativa. Sinceramente, eu suspeito que havia mais interesse em me ver sem os cabelos do que em me ver um universitário.

O resultado foi divulgado, a festa foi feita, e... bem... a cabeça... foi raspada. Não tente imaginar como eu fiquei depois disso; pode afetar sua boa noite de sono.

A maratona do vestibular é estressante. Todos os dias acordar cedo, assistir as aulas, revisar os assuntos. Os pais se preocupam, os namorados se descabelam (haja compreensão...), e o resultado é que não conseguimos estabilizar nossa vida.

O que me fazia perseverar? Qual a minha motivação para seguir nessa rotina de fadiga? Muito simples: havia bem na frente do meu nariz redondo um alvo. Meu alvo era um curso superior.

E quando se trata da vida espiritual?

Gosto das palavras do escritor aos Hebreus:

“Portanto nós também, pois que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo o embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que nos está proposta, olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus." (Hebreus 12: 1-2, grifo meu).

Todos nós estamos passando por um vestibular. Não de conhecimentos, mas de conduta. Não de raciocínio, mas de fé. E, ao final, precisamos ser aprovados.

"Procura apresentar-te diante de Deus aprovado (...)" (2 Timóteo 2: 15).

E como fazer para suportar a maratona frenética da vida? Siga o conselho do desconhecido escritor aos Hebreus: olhe para o alvo. Precioso alvo! Um diploma? Um curso? Uma universidade? Não, não... Troque essas palavras. Diploma não, Jesus. Curso não, seu Salvador. Universidade não, o céu.

Você não pode escapar do "processo seletivo". Sua inscrição foi feita no exato momento em que o espermatozóide do seu pai fecundou o óvulo da sua mãe... E você surgiu. Ao contrário do vestibular terreno, o de Deus não oferece outra chance; após a divulgação do resultado, estaremos destinados para sempre: viver com o Pai ou longe dEle.

"... aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo." (Hebreus 9: 27).

Ah! E a data da seleção não foi dita. Ninguém sabe.

E então, como você está? Tranqüilo como eu estava (e estou)? Ou não tem certeza de que será selecionado?

Esteja certo de uma coisa. As vagas são ilimitadas e o "Supremo Reitor" o aguarda ansioso. Ele já pagou sua matrícula. Agora... Só depende de você.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

O Milagre em "Manivela"

Ontem, ouvi um depoimento interessante. Um amigo, que tentava consertar o meu computador, me contou como conseguiu eliminar o problema. Ele disse que não estava conseguindo identificar a real causa do defeito e já havia pedido esclarecimentos a algumas pessoas, até que... (agora vem a frase que me marcou) ... ele confessou: "Eu percebi que não sabia o que fazer".

Perfeito! Há em tais palavras um reconhecimento. Sabe o que ele fez? Simples: orou a Deus. Sim, ele orou pela minha máquina. Não, ele não precisou fazer lodo com saliva e areia e passar na placa mãe; ele simplesmente reconheceu sua dependência e orou apresentando-a a Deus.

Acho que não preciso dizer-lhe o resultado de sua petição (mas o farei). Ela foi atendida e meu computador voltou a funcionar na primeira tentativa pós-prece.

Assim que ele me contou, eu completei: "O primeiro passo para o milagre é reconhecer a sua fragilidade e dependência". Que lição o Senhor me ensinou através de Manivela (é assim que eu chamo meu computador)!

Quero todos os dias reconhecer que sou pequeno e dependente do meu Deus até para ir à padaria. Dessa forma poderei desfrutar dos seus milagres em minha vida.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

O Delírio de Dawkins

Depois que tomei conhecimento do livro "Deus: Um Delírio" de Richard Dawkins, fiquei sabendo também que havia um livro para refutar as idéias do biólogo ateu. Segue o link para quem quiser conhecer. Eu, particularmente, pretendo ler.

www.mundocristao.com.br/odelirio

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Coral "Manco" É Melhor!

Há alguns dias (pouco mais de dois meses), o coral que Deus dirige usando a minha pessoa estava comemorando seus 23 aninhos (antes que alguém faça contas precipitadas, não sou fundador do coral). Fizemos quatro cultos de ações de graças e, nos dois últimos, nossa situação estava complicada. Como assim? É simples. Havíamos ensaiado algumas músicas novas, mas pelo pouco tempo que tivemos para prepará-las, elas não estavam – digamos – tão “audíveis”.

Reuni o grupo no último ensaio e disse o que eles já sabiam: “precisamos de um milagre de Deus”. E Ele o fez. Durante esses dois últimos cultos, vimos Deus fazendo por nós o que não poderíamos fazer. Não vou dizer que as músicas foram executadas de forma a agradar os mais cruéis críticos musicais, mas sei que o som que saía de nossas bocas não seria o mesmo se não houvesse uma intervenção divina. Em vista disso, eu só tinha uma conclusão à qual chegar: “Nosso coral é totalmente dependente de Deus”. E foi isso o que eu disse à igreja naquelas duas noites.

Não temos nenhum corista chamado Jacó, mas se o filho de Isaque (aquele do Gênesis) cantasse conosco, certamente ele diria: “Já vi esse filme antes”. Sim, ele já passara por uma experiência de dependência.

Veja. Ele está sozinho (cf. Gênesis 32.22-32). Sua única companhia é o medo de encontrar-se com seu irmão Esaú, ao qual enganou. Não bastasse isso, surge um homem querendo briga. Você sabe: quando um não quer, apanha sozinho; portanto, Jacó lança-se aos murros contra aquele homem. A luta parece equilibrada até que a alva começa a subir. Como não consegue prevalecer, e quer ir embora, o tal “homem” desloca a juntura da coxa de Jacó. Porém, vemos um Jacó determinado a mudar de vida, pois ele já reconheceu que esse “homem” o pode abençoar.

“(...) Não te deixarei ir, se não me abençoares” (v.26).

Após Jacó reconhecer sua identidade usurpadora, seu nome é mudado para Israel e muita coisa muda daí por diante na sua vida. No entanto, quero ater-me a apenas uma mudança. Está escrito:

“E saiu-lhe o sol, quando passou a Peniel; e manquejava da sua coxa” (v.31 – ênfase minha).

Imagine Jacó, depois da luta, ao raiar do dia, ferido, sujo, cansado, maltrapilho, mancando, mas abençoado. Abençoado pela fé, pois, na prática, nada havia mudado ainda, a não ser o seu nome. Você pode vislumbrar a cena: Jacó aproximando-se das suas mulheres (mancando, não se esqueça!), dos seus filhos e dos seus servos e anunciando que a partir daquele dia ele deveria ser chamado de Israel e que tudo mudaria para melhor? Alguém pode ter duvidado das palavras de Jacó, ou melhor, Israel (perdão). Ele não tinha nenhum sinal de bênção, pelo contrário, o que ele tinha eram marcas de uma luta. No entanto, ele mancava. Para Israel, isso era suficiente.

A princípio, não era possível visualizar a bênção, mas, a cada passo que ele dava, vinha à sua mente a imagem do “homem” abençoador de Peniel. Aquilo que parecia um dano físico era, na verdade, um penhor espiritual, a garantia de que dias melhores viriam. A Bíblia não nos informa quanto tempo Israel mancou. Pode ter sido por alguns dias ou pelo resto da vida. O que é certo é que cada passo falho mostrava-lhe o quanto ele era dependente de Deus.

Se ele cantasse no nosso coral, poderia nos ensinar essa lição de viva voz.


Agora, somos um coral de “mancos”: pessoas tocadas e abençoadas pelo “homem” de Peniel. Pessoas completamente dependentes dEle.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Deus Chama você para ser um Religioso

Todos nós já passamos por uma situação constrangedora. Aquela queda em plena calçada da avenida mais movimentada da cidade; ou aquela pessoa da qual você se aproximou cheio de brincadeiras até perceber que não era quem você estava pensando; ou, ainda, aquela vez em que você trocou o nome da sua namorada exatamente na hora do “eu te amo”. Lembra? Espero que não.

Essas situações enchem-nos daquele mesmo sentimento que invadiu Adão e Eva no momento em que pecaram: vergonha. E é com esse sentimento que quero relatar para você uma situação que vivi.

Caminhando pelo calçadão da praia de Ponta Negra, à noite, passei por duas crianças que, deitadas no chão, dormiam, tentando aquecer-se mutuamente. Pensei comigo que não havia o que fazer. Eu não poderia ajudá-las. Será? Senti-me como aquele sacerdote (ou como o levita) do capítulo 10 de Lucas, que viu o homem caído no caminho e passou de largo (Lucas 10.31,32). Nada fiz para ajudar os meninos.

Refletindo sobre tudo isso, comecei a questionar um determinado discurso que a cada dia torna-se mais comum nos púlpitos das igrejas: “Deus não o chamou para ser um religioso”.

Alguns pregadores tomam por base o fato de, nem o sacerdote, nem o levita haver demonstrado amor para com o homem semimorto, para divulgar a idéia de que você não precisa ser um religioso para fazer a vontade de Deus. O lema atual é: “Diga não à religiosidade e sim a Jesus”. Bonito, não é? Seria, se não houvesse algo sutilmente escondido por trás de tudo isso.

As pessoas não se dão conta de um detalhe importantíssimo: O sacerdote e o levita do texto de Lucas não eram verdadeiramente religiosos. Não? Não. E quem vai explicar-lhe isso é o irmão Tiago:

“A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e a si mesmo guardar-se incontaminado do mundo” (Tiago 1.27).

Se eu ignoro a situação do meu próximo, de fato, não ajo como um seguidor da verdadeira religião. Este é o cerne da questão. Ser um religioso, aos olhos humanos, é ser membro de uma instituição ou igreja. Ser um religioso verdadeiro, aos olhos de Deus, é fazer conforme o ensino de Tiago.

O problema é que há alguns que transformaram o termo “religião” ou “religiosidade” em algo quase pejorativo. E isso é perigoso! É perigoso porque o que está crescendo bem debaixo do nosso nariz é uma geração de crentes que não querem ter compromisso com nada e com ninguém. Eles acham que cumprir os “ritos” de uma igreja fará deles meros religiosos, e não seguidores de Cristo. E, sutilmente, isto vai fazendo com que alguns achem que a instituição “igreja” não possui nenhum papel relevante na sociedade.

Essa geração de que falo preocupa-se tanto com a “parte espiritual” de sua vida, que se esquece do papel social da igreja do Senhor. É imprescindível perceber que, sem me preocupar com o meu próximo, não posso agradar a Deus.

Para alguém ser um verdadeiro religioso, Tiago enumera duas coisas: (1) “visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações” (isto fala do relacionamento da igreja com a sociedade) e (2) “a si mesmo guardar-se incontaminado do mal” (isto fala do relacionamento com Deus). Agora, responda-me: Deus não chamou você para ser um religioso? Claro que sim!

De que adianta falar do amor de Deus, se eu mesmo não demonstro esse amor? Não podemos viver um Evangelho puramente teórico. Cristo deixou-nos o exemplo. Ele não apenas ensinou multidões, mas também as alimentou. Por quê? Porque ele sabia que, na didática divina, o processo de ensino-aprendizagem nunca será completo, sem a parte prática da lição.

Ser um religioso não vai de encontro à vontade de Deus. Pelo contrário, o desejo dEle é que nos mantenhamos incontaminados e que mostremos o amor de Cristo à sociedade. Portanto, igreja, sejamos religiosos! Manifestemos nossas obras para que o mundo reconheça a nossa fé.
No lugar da vergonha, ousadia. No lugar do constrangimento, amor de Deus.